ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL
IV CAPÍTULO

Sou Paulo Henrique Valim, o novo padre de Pôr-do-SoL.
Depois de quase duas horas, a missa chegou ao fim. O sermão do padre foi muito elogiado, todos diziam “é um homem santo, quanta sabedoria...”
D. Regiane avistou ao fundo da igreja, rezando de joelhos aos pés de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a simpática senhora que a encantou.
- D. Jove, tudo bem? – cumprimentou-a com um beijo – vi a senhora sozinha na missa, Seu Ricardo não veio?
- Ele não está bem, filha – disse, com lágrimas nos olhos, se levantando com dificuldade – penso que não seja nada grave, mas pela idade dele, me preocupa.
- Mas o que aconteceu? Perguntou D. Regiane, assumindo uma postura séria e preocupada.
- Ele passou mal essa noite, reclamava de falta de ar e de dor no peito. De manhã, quando saí de casa, ele estava bem – e pegando no braço de Regiane, disse – se não for incômodo, já vou, não quero deixá-lo por muito tempo sozinho, e hoje o padre estava inspirado no sermão – sorriu – prolongou bem a missa.
- Claro, pode ir sim, também já estou indo – e, pegando nas duas mãos da simpática senhora, disse – olhe, se precisar de alguma coisa por favor me procure.
- Muita gentileza da sua parte, Deus a dê muitas bênçãos. Muito obrigado. – nisso chegaram próximos à conversa os dois filhos de D. Regiane, que logo são apresentados.
- Muito prazer. Nossa, que rapazes bonitos a Senhora tem – elogiou rindo – vocês gostam de bolo de fubá com amendoim?
- Adoramos – responderam.
- Muito bem. Se quiserem, vão lá em casa hoje à tarde, vou preparar um especial pra vocês.
- Ah! D. Jove, sempre tão simpática. Vão estar livres hoje à tarde, meninos? – assentimento geral – ótimo, iremos sim, D. Jove, e aproveitaremos para visitar Seu Ricardo.
- Estarei esperando por vocês, até mais. – despediu-se a velha senhora.
A família Torrez de Mello deixou a igreja e, enquanto se dirigiam para casa, foram interceptados por Vinicius. Daniel levou uns 10 segundos para reconhecê-lo, e apresentou então o jovem a sua mãe e irmão.
- Gostaram da missa? – perguntou, a fim de puxar assunto, enquanto que ao mesmo tempo se perguntava “o que estou fazendo?”.
- Ah sim, adorei, apesar da idade o padre Roque fez uma ótima celebração – disse D. Regiane – Vinicius, passa lá em casa qualquer dia.
- Com certeza, assim que tiver um tempinho faço uma visita sim.
- Vou esperar. Agora tenho que ir, vou preparar o almoço. Vem também, filho? – perguntou para Marcos, que distraidamente olhava para algumas crianças brincando de amarelinha na praça da igreja.
- Sim, mãe, vou sim.
Daniel preferiu ficar e conversar mais. Vinicius não estava muito afim, mas o rapaz veio a seu encontro ficaria chato sair, depois que sua mãe e seu irmão se distanciaram, Vinicius disse:
- Muito simpática sua família.
- Calma, meu jovem, você ainda não conheceu o Dr. Torrez de Mello. E, por falar nisso, hoje completaram 15 anos que o seu pai faleceu?
- Sim – respondeu Vinicius, meio entristecido.
- Pena que não tenho a mesma sorte que a sua. – disse de supetão. Na hora tentou corrigir a frase, mas Vinicius o interrompeu.
- Pra mim não foi sorte perder meu pai... Mas fica tranqüilo, compreendi sua frase – explicou, enquanto apanhava uma bola velha de capotão e a jogava para um grupo de uns cinco adolescentes que brincavam bem no meio da rua.
- Valeu ae, Vini! – gritou um deles
Continua...






