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ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL (Romance)



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Terça-feira , 17 de Fevereiro de 2009


IV Capítulo

 

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL


IV CAPÍTULO


 


 

 

Sou Paulo Henrique Valim, o novo padre de Pôr-do-SoL.

 

Depois de quase duas horas, a missa chegou ao fim. O sermão do padre foi muito elogiado, todos diziam “é um homem santo, quanta sabedoria...”

D. Regiane avistou ao fundo da igreja, rezando de joelhos aos pés de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a simpática senhora que a encantou.

- D. Jove, tudo bem? – cumprimentou-a com um beijo – vi a senhora sozinha na missa, Seu Ricardo não veio?

- Ele não está bem, filha – disse, com lágrimas nos olhos, se levantando com dificuldade – penso que não seja nada grave, mas pela idade dele, me preocupa.

- Mas o que aconteceu? Perguntou D. Regiane, assumindo uma postura séria e preocupada.

- Ele passou mal essa noite, reclamava de falta de ar e de dor no peito. De manhã, quando saí de casa, ele estava bem – e pegando no braço de Regiane, disse – se não for incômodo, já vou, não quero deixá-lo por muito tempo sozinho, e hoje o padre estava inspirado no sermão – sorriu – prolongou bem a missa.

- Claro, pode ir sim, também já estou indo – e, pegando nas duas mãos da simpática senhora, disse – olhe, se precisar de alguma coisa por favor me procure.

- Muita gentileza da sua parte, Deus a dê muitas bênçãos. Muito obrigado. – nisso chegaram próximos à conversa os dois filhos de D. Regiane, que logo são apresentados.

- Muito prazer. Nossa, que rapazes bonitos a Senhora tem – elogiou rindo – vocês gostam de bolo de fubá com amendoim?

- Adoramos – responderam.

- Muito bem. Se quiserem, vão lá em casa hoje à tarde, vou preparar um especial pra vocês.

- Ah! D. Jove, sempre tão simpática. Vão estar livres hoje à tarde, meninos? – assentimento geral – ótimo, iremos sim, D. Jove, e aproveitaremos para visitar Seu Ricardo.

- Estarei esperando por vocês, até mais. – despediu-se a velha senhora.

A família Torrez de Mello deixou a igreja e, enquanto se dirigiam para casa, foram interceptados por Vinicius. Daniel levou uns 10 segundos para reconhecê-lo, e apresentou então o jovem a sua mãe e irmão.

- Gostaram da missa? – perguntou, a fim de puxar assunto, enquanto que ao mesmo tempo se perguntava “o que estou fazendo?”.

- Ah sim, adorei, apesar da idade o padre Roque fez uma ótima celebração – disse D. Regiane – Vinicius, passa lá em casa qualquer dia.

- Com certeza, assim que tiver um tempinho faço uma visita sim.

- Vou esperar. Agora tenho que ir, vou preparar o almoço. Vem também, filho? – perguntou para Marcos, que distraidamente olhava para algumas crianças brincando de amarelinha na praça da igreja.

- Sim, mãe, vou sim.

Daniel preferiu ficar e conversar mais. Vinicius não estava muito afim, mas o rapaz veio a seu encontro ficaria chato sair, depois que sua mãe e seu irmão se distanciaram, Vinicius disse:

- Muito simpática sua família.

- Calma, meu jovem, você ainda não conheceu o Dr. Torrez de Mello. E, por falar nisso, hoje completaram 15 anos que o seu pai faleceu?

- Sim – respondeu Vinicius, meio entristecido.

- Pena que não tenho a mesma sorte que a sua. – disse de supetão. Na hora tentou corrigir a frase, mas Vinicius o interrompeu.

- Pra mim não foi sorte perder meu pai... Mas fica tranqüilo, compreendi sua frase – explicou, enquanto apanhava uma bola velha de capotão e a jogava para um grupo de uns cinco adolescentes que brincavam bem no meio da rua.

- Valeu ae, Vini! – gritou um deles

 Continua...

 

Escrito por Josue da Silva às 11h58
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IV Capítulo (parte 2)

 

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL


IV CAPÍTULO

2º parte

 

Vinicius apenas fez um aceno com a mão. O sol de julho estava amarelo e quente, tiveram que continuar a caminhada por baixo das árvores.

- Qual o problema que você tem com seu pai? – perguntou Vinicius, limpando o suor com um lenço verde-claro.

- Eu não tenho nenhum, quem tem é ele comigo. Meu pai serviu o exercito, foi policial e hoje é delegado. Foi criado num regime de autoritarismo, só aprendeu a mandar e todos têm que obedecer. Mandou meu irmão ser juiz, marcos foi e se deu bem, ele gosta destas burocracias. Me mandou ir para o exercito, disse não. Agora me odeia, acha que sou inútil – de repente seus olhos começaram a ficar marejados – mas tá bom, não quero falar de meu pai.

- Claro, como quiser...

- Já foi comer o lanche do Zé Louco?

- Lanche do Zé Louco? – repetiu rindo – não.

- Tem que conhecer, é o melhor da cidade. Vai estar livre hoje à noite?

- Sim, só à tarde tenho compromisso.

- Vamos à lanchonete? – Daniel praticamente o intimou, parando numa encruzilhada.

- Demorou!

- Beleza! Vamos nos encontrar na praça da igreja mesmo, tá bom pra você?

- Combinado, pra mim tá ótimo.

- Bom, eu vou pra cá.

- E eu pro lado oposto, pra lá.

Despediram-se apertando as mãos.

Vinicius foi em direção a sua casa com uma certa felicidade, com uma alegria estranha no seu coração. Ele não sabia o que era, só sabia que era muito bom.

O astro rei brilhava forte e imponente. No céu nenhuma nuvem, o azul celeste enchia os olhos, na imensidão vários pássaros voavam pra lá e pra cá, crianças em círculos brincavam, gritavam e algumas pulavam. Por causa do calor, algumas senhoras de mais idade com seus vestidos floridos se sentavam nas calçadas embaixo dos imensos flamboyant. De vez em quando passavam os sorveteiros com suas buzinas estridentes; os cachorros passeavam feito gente, uns nas calçadas, outros nas ruas. Era um dia típico de cidade pequena, a cidade que aos poucos vinha deixando de ser. O que diferenciava o domingo dos outros dias era apenas a santa missa. Domingo sem missa, semana sem domingo; dizia o povo de Pôr-do-Sol.

Com a temperatura bem mais amena que a da manhã, o azul do céu se transformara num branco lindo e encantador, as nuvens faziam vários desenhos. No caminho para a casa de seu Ricardo, Marcos Antonio e Daniel iam brincando de adivinhar qual a forma que elas formavam na imensidão celestial.

A família dos Andes acolheu com muito carinho seus convidados. D. Regiane, que já conhecia seu anfitrião, notou claramente que não estava bem.

Conversaram um pouco de tudo enquanto saboreavam o bolo feito por D. Jove. Marcos contava sobre sua faculdade, Daniel sobre suas pinturas, D. Regiane sobre as causas sociais que sempre incentivou quando  morava em Florestal.

Depois foram todos passear na tão famosa horta de seu Ricardo. O pé de jabuticaba estava carregado, Daniel nunca tinha visto algo parecido, comeram jabuticaba a vontade. Como da outra vez, levaram para casa verduras, legumes, frutas, fizeram a feira. Na despedida, Seu Ricardo, já bem indisposto, disse:

- D. Regiane, volte sempre. Seus filhos são jovens e divertidos, lembram muito minha filha. Uma pena ainda não ter chegado de férias.

- Filha? – perguntou Daniel, surpreso.

- Sim, temos uma filha – completou D. Jove – vou pegar uma foto  pra vocês verem.

Passados alguns minutos D. Jove volta com o imenso quadro da filha de 23 anos e o exibe, orgulhosa, para os visitantes. Daniel a achou muito bonita, mas Marcos a achou belíssima. Aqueles olhos verdes penetrantes, os cabelos cacheados, de uma cor magnífica. Era a garota mais linda que já tinha visto.

- Nossa, a filha de vocês é muito bonita – disse Marcos, olhando o quadro. Seus olhos brilhavam.

- Bom, agora temos que ir, não vai demorar muito pra escurecer – disse D. Regiane, olhando o céu.

Despediram-se, deixando no portão da velha casa os velhinhos mais simpáticos de Pôr-do-Sol. Eles ainda não sabem, mas essa seria a última vez que veriam Seu Ricardo dos Andes.

 

  CONTINUA...

 

Escrito por Josue da Silva às 11h54
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IV Capítulo (parte 3)

 

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL

IV CAPÍTULo

 

3º. Parte

 

 

A noite já tinha chegado e com ela uma brisa um tanto fria. Lá no céu negro como o breu, a lua minguante tentava se destacar entre as nuvens que insistiam em cobri-la.

Na casa de Ana Ferreira Baldochi, a guerra estava para começar: Fernanda saíra por volta das 15 horas da tarde e até o presente momento ainda não tinha chegado. Sua mãe estava com os nervos à flor da pele. Indo pela décima vez à janela do sobrado, disse olhando a rua escura e fria:

- Meu Cristo Rei, onde essa menina se enfiou? Já são quase 20 horas.

- Calma mãe, hoje é domingo... Ela deve estar conversando com as amigas, já, ela vem. – tentava Vinicius acalmar sua mãe.

- Mas porque não me avisa o que custa? – quando D. Ana ia saindo da janela avistou sua filha Fernanda vindo tranquilamente em direção a sua casa. – olha lá, a desmiolada. Meu Deus, quando essa menina vai tomar juízo?

- Mãe, pega leve com ela, por favor.

Nisso entra Fernanda pela porta, visivelmente exausta.

- Onde você estava menina? - perguntou D. Ana, muito séria.

-Ah! Mãe, por favor! Estava na praça da lagoa com alguns amigos. – disse caminhando para seu quarto.

-Fernanda? Venha aqui! Não me dê às costas! – mas que nada, sua filha nem deu ouvidos, foi direto para o quarto.

-Veja filho, que petulância dessa menina!

-Deixa ela, mãe!

-Não, filho, não posso. Ela é menor de idade, é meu dever cuidar dela. Eu vou tomar banho, estou cansada. – disse com um suspiro profundo.

No quarto, Fernanda se despia, com cuidado. Ainda sentia muita dor em todo seu corpo, aquilo lhe trazia uma satisfação que homem nenhum lhe poderia proporcionar. Tirando sua blusa, sua calça, ficou apenas de lingerie em frente ao imenso espelho do seu quarda-roupas, e contemplava com orgulho as marcas espalhadas em seu corpo. Havia cortes, unhadas, várias marcas de queimadura de cigarros e vários vergões em todo seu corpo. Abrindo os braços ela sentia dor, como era bom, ela respirava fundo e sentia seu corpo dolorido, e isso lhe causava momentos de pura alegria e prazer. Tirando seu lingerie, caminhou para o banheiro, e aumentando a temperatura do chuveiro deixou a água quente molhar todo seu corpo. Isso lhe provocava mais dor, como gostava dessa sensação. Ainda molhada, foi para cama de casal, com um sorriso de satisfação no rosto, e adormeceu pensando na tarde maravilhosa que teve, junto com Aldo.

A noite estava bem diferente do dia: estava fria e as nuvens haviam vencido a lua, tornando a noite escura e gelada. Passava um pouco das 20h30 quando Vinicius chegou à praça da igreja. Lá já estava Daniel, com um lindo, sobretudo marrom escuro e uma boina do tipo italiana. Quando Vinícius o avistou disse rindo:

- Nossa você sabe se vestir, tá parecendo Don Vito Corleone. – riram os dois.

-Vamos? Estou morrendo de fome e tô louco pra conhecer o lanche do Zé Louco. – disse Daniel.

-Vamos, por aqui.

-Gente, que clima é esse? Hoje de manhã aquele calor, e agora esse frio? – disse Daniel, esfregando as mãos.

-Isso não é nada, comece a se acostumar com Pôr-do-Sol.

Chegando à lanchonete, Daniel ficou surpreso com a simplicidade do lugar. Acostumado a comer sempre no Mcdonald`s, para ele foi uma diferença e tanto.

Pediram o lanche especialidade da casa, o Big louco. Daniel não gostou muito, mas disse ao recente amigo que de fato, era mesmo muito gostoso. Enquanto comiam, conversavam sobre pinturas, sobre o crescimento da cidade, sobre a família e até sobre política. Quando se deram conta. Estavam eles sozinhos na lanchonete.

- Nossa, o tempo voa, já é quase meia noite. – disse Vinicius olhando o relógio - melhor irmos, querem fechar... Pode deixar hoje pago tudo, da próxima você paga – disse a Daniel, que já estava tirando a carteira.

Caminhando de volta pra casa, Daniel disse:

- Olha, gostei muito da sua companhia, gosto de conversar com pessoas inteligentes.

- Que é isso, cara, você também é bem legal, gostei também – disse Vinicius meio sem jeito.

Chegaram na mesma encruzilhada de cedo e se despediram. Vinicius foi pra um lado Daniel foi para o outro. Este foi tranqüilo pra casa, mas o outro foi com algumas dúvidas: o sentimento que sentira o estava deixando confuso, o que será isso, perguntava a si mesmo. Chegando ao portão lateral de sua casa, enquanto procurava a chave certa para abrir a porta, pensou, "amanhã preciso procurar o Padre Roque".

 Continua...

 

 

 

 

Escrito por Josue da Silva às 11h02
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IV Capítulo (parte 4)

 

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL


IV CAPÍTULO

 

4º. Parte

 

 

 

 

 

 

 

 

Em mais um dia o sol nasceu em Pôr-do-Sol, mas com certeza nesse dia ninguém o veria. O dia estava desagradável, o céu estava cinzento e feio, mas isso não impedia que seus habitantes voltassem à vida normal. O jornaleiro entregava o jornal, as crianças iam para as escolas meio sonolentas, os estabelecimentos comerciais iam se abrindo, tudo ia voltando ao normal.

Quando já se passavam das 10 horas, um jovem rapaz adentrou o estabelecimento de D. Ana ferreira. Era um rapaz bonito, devia ter pouco mais de 25 anos, olhos e cabelos pretos como carvão. Usava um discreto óculo social, tinha uma pele branca e bem cuidada, e na sua mão direita uma aliança de ouro que brilhava chamando a atenção de todos. Chegando ao balcão onde estava D. Ana, ela já foi dizendo:

-Pois não? – deu uma olhada nas bolsas que o jovem trazia e disse – se deseja fazer tratamento de pulmão e precisa de hospedagem, o aconselho ir...

-Não, minha senhora – interrompeu o estranho, com uma voz calma e cativante – estou procurando a paróquia Cristo Rei e a pessoa do Pe. Roque Zimmermann.

-Ah, sim! E você, quem é? – perguntou D. Ana

-Desculpe, nem me apresentei. Meu nome é Paulo Henrique Valim. Sou o novo padre de Pôr-do-Sol.

-Oh! Meu Deus! O senhor é o novo padre? – perguntou espantada.

-Sim.

-M-m-m-mas o senhor é tão jovem! Quantos anos têm como padre?

-3 meses – respondeu calmamente o sacerdote.

-Mas o Sr. não usa aquele colarinho branco?

-O clégima? Não gosto, aquilo me enforca. A Sra. Poderia me dizer onde fica a paróquia?

-Mas claro. Aldo, Aldo? – gritava olhando para a despensa do mercado – o rapaz veio meio assustado – leve o Pe. Paulo Henrique até a igreja.

-Que legal, o Sr. vai ser o nosso novo padre? – perguntou Aldo, ajudando-o com as malas – ambos saem em direção à paróquia Cristo Rei.

Marcos desce as escadas com algumas sacolas e pergunta algo para a mãe. Esta não responde, estava hipnotizada. Assustado, seu filho chega a balançá-la para que ela volte a si.

- O que aconteceu mãe, a Sra. esta bem?

- Claro que estou filho. Estou só assustada... Tá vendo aquele jovem indo lá na frente com o Aldo?

- Sim.

- É nosso novo padre. Acredita? – disse com certo desprezo na voz.

-Nossa, é jovem.

-Jovem? É uma criança, meu filho. Vai ser o fim de nossa cidade! Como podem ordenar crianças?

-Por que, mãe? Qual o problema dele ser jovem?

-Vinicius, pelo amor de Deus, ninguém respeita padre novo. O povo vai pintar e bordar escreve isso que estou lhe falando.

De repente entra D. Catarina correndo.

-D. Ana, pelo amor de deus, corre na casa do Seu Ricardo! Ele esta tendo fortes convulsões, o homem tá roxo, não tá conseguindo respirar, corre lá. - disse a mulher, chorando.

-Vinicius, pede pra Fernanda ficar aqui no mercado, pegue o carro e vá rápido pra casa do Seu Ricardo, vou indo a pé - ordenou D. Ana, arrancando com toda força um avental que trazia.

Vinicius saiu cantando os pneus, com seu Santana, em direção à casa de D. Jove. Em sua mente, lembrava do velho Ricardo, seu coração doía e torcia para que não fosse nada grave. Infelizmente, Vinicius estava errado.

Em frente à igreja, Pe. Paulo Henrique contemplava a estrutura. Era muito bonita, a praça era bem cuidada e limpa. Ele gostou do que viu, agradeceu a Aldo, e entrou em seu novo lar.

 

 

Aguardo os comentários, em breve o V Capítulo

Josué da Silva

Escrito por Josue da Silva às 10h55
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