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ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL (Romance)



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Sexta-feira , 13 de Fevereiro de 2009


III Capítulo

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL

 

III CAPÍTULO

 

 

Era visível o Cansaço do Velho Sacerdote

 

Domingo dia sagrado para todos que professam a fé católica. Conseqüentemente, sagrado para os habitantes de Pôr-do-Sol. Por causa da frágil saúde do único padre da cidade, neste dia, é celebrada apenas uma missa, na parte da manhã.

Hoje, a igreja do Cristo Redentor restava muito bem ornamentada, com lírios e crisântemos brancos. Próximo ao sacrário dois exuberantes vasos de copos-de-leite, que roubava a sena, uma toalha branca com detalhes dourados e prata cobria os quase dois metros de altar. Próximo havia duas velas brancas com detalhes em vermelho carmesim em pedestais recém pintados.

 Tudo novo para celebrar os 15 anos de falecimento do esposo de D. Ana Ferreira, uma grande bem feitora da paróquia. É visível que a caridosa senhora ajuda a igreja não por ter tanta fé, como demonstra, mas sim por desencargo de consciência, pois seu falecido marido era um católico fervoroso que amava a Santa Igreja. O único erro desse homem foi se casar com D. Ana Ferreira.

A velha beata vive da aparência, por isso, fez questão de comprar tudo novo, não economizou em nada. Foi o modo que achou de reparar os pecados do seu marido, no qual foi à verdadeira e única culpada.

Na primeira fileira, vestido com roupas dominicais, estava à família do falecido, no outro corredor, na segunda fileira estava à família Torrez de Mello, sem o Dr. Rodolfo.

Na ponta do banco trajando um lindo blazer preto, com calça da mesma cor, e camisa azul clara, estava Daniel ao seu lado, sua mãe com um lindo vestido social marrom escuro e seu irmão, vestido como se estivesse indo a uma audiência com Srº Juiz.

Da outra ponta Vinicius com roupas de esporte fino, camisa branca e calça de cor escura comprada especialmente para este dia, assim que o avistou deu um sinal com a mão, Daniel o retribuiu, “nossa como ele se veste bem!” - pensou olhando o rapaz - D. Ana Ferreira vendo isto perguntou:

- Conhece o filho do delegado? – disse falando baixinho ao ouvido do filho.

- Não. Bom! Conheço. Não sei. Vi ele apenas uma vez, ontem foi ao mercado, lá conversamos um pouco, eu o achei muito simpático – disse no mesmo tom de voz baixa. 

- Ouvi falar, que o pai dele não acredita em Deus.

- Mãe? – repreendeu o filho

A igreja do Cristo Redentor, não era muito grande, digamos que sua lotação máxima seria pouco mais de 500 pessoas, e hoje praticamente todos esses lugares já estavam completos, isso deixou D. Ana Ferreira muito contente, pois havia gasto muito com os enfeites da igreja, era importantíssimo que muitos comparecessem para contemplar o que foi feito.

- Olha filho a igreja cheia, que bom seu pai deve estar adorando. – disse com um largo sorriso, olhando para os fundos e os lados.

- Mãe tenho que ir ao banheiro – anunciou Fernanda, que até então estava calada ao lado da mãe.

- Banheiro? Que isso menina, falta menos de cinco minutos para começar a missa, não vai não.

- Mãe preciso trocar o absorvente – disse com uma certa arrogância na voz.

- Que isso menina, olha o respeito na casa de Deus, vai logo, vai – Fernanda foi - você viu isso filho, que menina, o meu Cristo Redentor me ajude.

Fernanda não foi ao banheiro. Tinha um encontro com Clodoaldo, o empregado de sua mãe.

- Puxa você demorou – disse Clodoaldo de olho no relógio.

- Te encontro hoje no parque do lago próximo as cachoeiras, às 15 horas, agora tenho que ir. – disse apressadamente.

- Que isso gata me da um beijinho – disse Clodoaldo, agarrando a moça pela cintura e puxando-a para perto de si.

- Ta bom, me solta Aldo – disse Fernanda, empurrando o rapaz – te vejo lá, até mais – se despediu, voltando correndo para a igreja.

- Com certeza estarei lá, gostosa – disse Aldo rindo sedutoramente.

Fernanda Baldochi voltou correndo para igreja, quando se sentou ao lado da mãe, o belíssimo som harmonioso do imenso órgão de 21 tubos alemão da marca Johannus, se fez ouvir, por toda a igreja.

O órgão de tubos, desde sempre, nos provoca para o encontro, a harmonia e o diálogo entre o divino e o humano, o transcendente e o imanente, a fé e a cultura, a Igreja e o Estado, contribuindo para a aproximação dos homens independentemente de todas as diferenças, que pode haver. Com toda certeza, se no céu tiver música, é esse esplêndido instrumento medieval, que os anjos iram tocar.

Daniel que era sensível a música ficou extasiado com aquele som magnânimo e poderoso, pela primeira vez em sua vida sentiu a presença dos anjos de Deus.

Ao fundo acompanhado com oito coroinhas, vinha padre Roque, com uma túnica branca como a neve, mas o que mais se destacava era a casula dourada, que vestia, na frente estampada a imagem do Cristo Rei, atrás a imagem de Nossa Senhora Rainha, as coroas foram todas bordadas com fio de ouro pelas freiras carmelitas descalças, que o presentearam na ocasião dos seus 50 anos de sacerdócio.  

 

Continua...

 

Escrito por Josue da Silva às 12h18
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III Capítulo ( Parte2)

 

ASSASSINATOS EM PÔR-DO-SOL

 

III CAPÍTULO

 

2º. Parte


 

Era visível o cansaço do velho sacerdote, andava pela nave com passos lentos e curtos, mas mesmo assim mantinha um cativante sorriso, enquanto o povo apertava suas mãos. Depois de cantar o hino de entrada duas vezes, o celebrante conseguiu chegar ao altar, beija-o, levantou a cabeça e diz aos paroquianos de Pôr-do-Sol:

- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

- Amém – reponde a assembléia cantando junto com o órgão e o coral formado por senhoras.

- Nossa mãe, quase não se ouve o padre falar... – cochichou Marcos Antonio ao ouvido de sua mãe.

- É mesmo filho, já esta bem de idade, fiquei sabendo que provavelmente chegue essa semana o novo padre. – disse D. Regiane olhando sempre para o frente.

-... Queridos irmãos e irmãs, estamos reunidos para celebrarmos a morte e ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo, temos muitas preces, pedidos, em nossos corações que o anjo do senhor vai passar e colher, porém... - deu um ataque de tosse que o padre quase fica sem ar – desculpem ainda não me recuperei da gripe – disse virando-se de costa para assoar o nariz – D. Ana Ferreira, ficou extremamente irritada, pois bem na hora que ia falar o verdadeiro motivo dessa missa o velho se engasga, mas manteve a compostura.

Depois de ter assoado o nariz, voltou-se para a assembléia e continua a saudação inicial.

-... Como estava dizendo, hoje comemoramos o aniversário de morte do nosso querido amigo Marccelo Baldochi, homem que conheci pessoalmente, extremamente caridoso, católico fervoroso, um homem de Deus, cativava a todos...

D. Ana abraçou seus filhos, imbuída pelas belas palavras do padre, sobre seu marido começou a chorar. No seu coração, somente la no fundo a sete chaves estava escondido o verdadeiro motivo dessas lágrimas.

Enquanto a missa acontecia, há algumas quadras dali, na casa do delegado, alguém tocava insistentemente a campainha, irritado caminhou compassos rápidos e nervosos para a porta central, mas antes, colocou um revolver 38 nas costa debaixo de sua camisa. Quando abriu a porta, Madame Sandra Regina entrou como uma bala, assustando-o que já estava com a mão no revolver, no entanto, quando viu quem era apenas cruzou os braços.

- O que você quer aqui na minha casa, não é bem vinda aqui, vocês deviam ser proibida de sair daquele pardieiro – disse o delegado olhando para a intrusa, seus olhos eram de dar medo.

- Não tenho medo do Sr. Dr. Rodolfo Torrez de Mello, - disse com desprezo - o que tenho pra dizer é rápido.

O delegado ficou estático com tal petulância e ousadia daquela mulher, com um soco fechou a porta e voltou a cruzar os braços e ordenou:

- Diga o que quer rampeira.

- Minha casa tem regras, e devem ser respeitadas por todos que a freqüentam. Somos putas, biscates, rampeiras, prostitutas, mulheres da vida... Seja lá qual for o nome que queiram dar a nós, porém, temos dignidade, e merecemos ser respeitadas, sempre paguei todas minhas dividas, meus impostos. Não devo a ninguém, por isso, - disse apontando o dedo para o delegado exijo que me respeite, principalmente minhas meninas – Madame Sandra Regina estava fora de controle, cuspia essa palavras com veracidade.

O que o Srº. ou melhor você, fez com Cristina ontem é inadmissível, seu animal desgraçado, agora a menina esta internada com fortes hemorragias, isso foi estupro... – faltaram palavras – você tratou Cristina como se ela fosse uma...

- Puta. – cortou o delegado, vermelho de raiva – é isso que ela é. É isso que todas vocês são, putas. Serve para nos satisfazer de jeito que acharmos melhor – disse encarando a madame – pela primeira vez, ela sentiu medo daquele homem – eu paguei e muito bem, para ela me dar prazer.

- Seu monstro desgraçado... – de supetão o delegado desvencilhou um tapa tão forte no rosto da madame que a mesma caiu ao chão tonta e com um zunido que não a deixava ouvir, com as mãos no rosto sentiu um líquido quente escorrer em sua face, quando viu sua mão, se assustou era sangue.

- Não vou perder mais tempo com você, some da minha casa – gritou o delegado, arrancando seu cinto de couro – mas a mulher quase não ouvia, pois o zunido ainda estava em seu ouvido – Saia da minha casa antes que eu te dou uma lição que jamais vai esquecer – e desvencilhou o cinto nas costas da mulher ainda sentada no chão – some da minha casa vagabunda, não me fale de dignidade – mais cintadas – seu erro foi me desafiar. Largou o cinto pegou a mulher pelo pescoço e com a boca perto da sua orelha, disse num tom sinistro que a fez estremecer de medo.

- Puta velha e imprestável, você não me conhece e essa ofensa vai lhe custar caro, muito caro. Vou a sua casa e trepo com quem eu quiser e não pode fazer nada, pois aqui nessa merda de cidade eu sou a autoridade, eu mereço respeito, vocês não – e jogou a mulher quase sem fôlego contra a porta fechada.

- Juntando forças e ar Madame Sandra Regina se levanta segurando nas paredes – disse.

- Na mina casa você nunca mais entra, nunca mais - gritava a mulher chorando, não precisamos do seu maldito dinheiro – enfiando a mão no meio dos seios, tirou o cheque que o delegado tinha dado a ela na noite de ontem, rasgou o cheque e jogou no rosto do delegado.

Num ataque de fúria, Dr. Torrez de Mello pegou-a pelo braço, cuspiu no seu rosto e jogou-a para fora, como se joga um saco de lixo.

- Nunca mais volta aqui, nunca mais – disse o delegado com os olhos faiscando.

Dentro de sua casa de joelhos catava os pedaços do cheque no chão – Merda!!! Não posso agir assim, isso vai me dar mais problemas, me controlarei da próxima vez, mas antes, aquela puta vai engolir todo esses desaforos, ah isso vai – disse rindo – eles ainda não me conhecem. Tudo é uma questão de tempo.

 

Aguardo os comentários, em breve o IV Capítulo

Josué da Silva

 

 

Escrito por Josue da Silva às 12h16
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