ASSASSINATOS EM PÔ DO SOL
ENTRE A LOUCURA E A REALIDADE
I Capitulo
1º parte

Família Baldochi, quase perfeita
Apesar do seu crescente desenvolvimento, Pôr-do-Sol ainda possui impreguinado em seus habitantes certos costumes de cidade pequena, tal como estar sempre informados da vida dos outros, não por maldade, mas muitas vezes por diversão.
De todas as fuxiqueiras da cidade, a líder é Dona Ana Ferreira, vive cuidando da vida dos outros. Seu hobby preferido é ficar a par de tudo o que acontece na vida de todos que estão ao seu alcance.
Uma mulher de cinqüenta e poucos anos, cabelos e olhos negros, sempre amarrados em coque no alto da cabeça, desde que ficou viúva nunca mais o soltou, uma mulher de fibra pertencente à ala tradicionalista da cidade é rigorosamente contra todo e qualquer progresso, não cansa de dizer para seus dois filhos, que Pôr-do-Sol, sempre deveria ser uma cidade pequena e pacata.
D. Ana Ferreira é viúva a quinze anos, que se completara no próximo domingo. Quando seu falecido marido, partiu dessa para melhor, a deixou com duas crianças pequenas, Vinícius com cinco anos e Fernanda com um ano de idade.
Por tradição de família e princípios religiosos popular, nunca mais se casou, pois acredita que homem é só o primeiro, ninguém é feliz num segundo casamento, mesmo se tratando de viuvez.
D. Ana se dedicou a criar seus filhos, na lei de Deus e na lei dos homens, sempre tendo a primeira como base de tudo. Para isso, usou muitas vezes a vara e do castigo severo para corrigi-los, talvez, com Vinícius até que deu certo, era o filho que mais a deixava com orgulho, porém, com a Fernanda, não deu muito certo, esta é oposto do irmão, este é sensível, estudioso, educado, profundamente religioso... a outra é tudo isso, mas ao contrário, é nervosa, agressivas e revoltada com os exageros de sua mãe, contudo, debaixo de toda essa couraça se encontra uma menina, amável, bondosa e muito carente, pena que pouco demonstra esses sentimentos, quando é desafiada, grita, pula, esbraveja se faz de vítima das circunstâncias, mesmo assim, D. Ana a controla com pulso de ferro, no final Fernanda sempre acaba cedendo, sua mãe nunca.
Na família dos Baldochi, existe um costume desde do tempo do falecido, fazerem as principais refeições sempre juntos, D. Ana vê nisso um valor primordial para manter a família unida e assim saber o que todos andam fazendo, pois nesta hora Fernanda e Vinícius são interrogados pela sua mãe a falar sobre o dia, eles odeiam isso.
D. Ana estabeleceu regras para a casa, a quebra dessas, se impõe castigos e mais uma vez sua única filha ultrapassou e muito o horário, isto é sinônimo de briga.
Quando os ponteiros do grande relógio cuco do mercado apontaram para o infinito, D. Ana Ferreira disse a Clodoaldo seu jovem funcionário:
- Aldo, meio-dia vou almoçar, se o vendedor de lingüiças passar, pede para esperar, preciso falar com ele.
- Sim senhora D. Ana – respondeu o funcionário espanando os enlatados.
- E fique de olho hein! – ordenou D. Ana abrindo o olho direito com o indicador – esta cidade esta perigosa, não podemos confiar mais em ninguém, qualquer coisa é só me chamar.
- Pode deixar D. Ana.
O comercio de D. Ana Ferreira, era uma magnífico sobrado no térreo havia cinco portas onde funcionava o mercado, herança do falecido, em cima era sua casa.
Dentro do mercado havia uma escada em caracol que levava direto a sua cozinha. Depois de dar instruções ao seu empregado, subiu por esta escada. Chegando a cozinha, a mesa estava perfeitamente posta e Vinícius a esperava, o lugar de sua irmã estava vazio. D. Ana sentou-se colocou as mãos sobre o rosto e sem olhar para o filho que, descascava tranquilamente uma bela laranja baiana, perguntou:
- Onde esta sua irmã?
- Mãe dá um tempo para Nanda...
- Vinícius onde esta sua irmã? – perguntou fixando os imensos olhos negros no filho, que colocou a laranja e a faca sobre a mesa com força.
- Ainda não acordou – respondeu também olhando pra mãe.
- Vá chama-la – ordenou.
Vinícius notou um tom de fúria nesta ordem e conhecendo bem sua mãe, ele foi chamá-la. Passados cinco minutos, ele volta e encontra sua mãe na mesma posição que a deixou.
- Ela já vem estava acordada – informou a mãe pegando novamente à suculenta laranja e voltando a descascá-la, no mesmo ritmo que antes.
Fernanda para provocar, só veio há mesa trinta minutos depois que foi chamada, foi o tempo suficiente para deixar sua mãe, com os nervos a flor da pele, ela entrou sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
- Bom dia mano – deu um beijo no irmão – quando ia beijar a mãe ela se afastou, negando aquele beijo hipócrita – Nossa – disse olhando pra mãe – O que foi agora? – perguntou sentando-se ao lado irmão.
Com a cabeça baixa e entre as mãos D. Ana Ferreira Baldochi perguntou – Porque você é tão cínica assim hein menina – começou D. Ana calma e serena, sem olhar para a filha.
- Ah! Mãe não vai começar tudo de novo
- Que horas você chegou ontem?
- Não sei, acho que era pouco mais das onze horas – respondeu Fernanda enchendo seu prato de salada de repolho e alface.
- Não era! Pouco mais, era muito para as regras daqui de casa, você chegou já era mais de 00h30mim.
- Nossa!!!! Que precisão.
Foi demais, D. Ana meteu os punhos na mesa, com tanta força que os pratos chegaram a pular na mesa.
- Pare com isso menina, quantos anos você pensa que tem? trinta? não você tem 16 anos, e criança com esta idade, jamais pode chegar em casa numa hora dessas, jamais – gritava D. Ana – Meu Deus o que os outros vão falar de mim, de você, do seu irmão?
- Epa! não me envolva nisso, to saindo fora, to indo pro mercado.
- Minha filha eu me preocupo com você, Meu Deus eu só tenho vocês dois...
- Para mãe, para com isso, chega, não agüento mais esses seus chiliques – gritou a filha.
- Veja como você fala comigo menina – ameaçou D. Ana com a voz – não venha querer estar com a razão, você conhece o horário...
- Horário? Eu sou uma presidiária nesta casa, uma freira Carmelita tem mais liberdade que eu.
D. Ana , ficou estática olhando a filha – Meu Cristo Rei, porque você é assim por que não...
-... É igual o seu irmão, mãe eu sou assim, não sou igual ao Vinícius e nem ele é igual a mim, os filhos são sempre diferentes.
- Cala a boca menina, você vai aprender a ser responsável, vá para seu quarto – ordenou D. Ana, com os olhos pegando fogo – vá para seu quarto e pense no que fez.
- Não da mãe não sou mais criança, a senhora não pode me tratar mais assim.
- Cala a boca sua desmiolada, quer ficar falada na cidade? continue agindo assim, vá pro seu quarto – esbravejou D. Ana.
- Não vou – retornou Fernanda – encarando sua mãe.
- Ah! Você vai sim – disse D. Ana pegando a filha pelo braço e arrastando-a para o quarto – você vai ficar no seu quarto até quando eu quiser.
- Eu te odeio D. Ana, eu não sou sua escrava, não sou eu te odeio – gritava em meio às lágrimas.
Agarrando a menina aos prantos pelos os braços, D. Ana ergueu-a do chão e disse com lágrimas nos olhos – pois fique você sabendo, que eu te amo, te amo muito filha, mas algum dia você vai ter que aprender – Nisso D. Ana vê nos braços e nas pernas da filha marcas ora arroxeadas ora avermelhadas e alguns pequenos cortes.
- Mentira, tudo mentira, não acredito – gritava Fernanda.